terça-feira, 12 de outubro de 2004

A herança dos Samurais



Sobre os antigos samurais, pouco ou quase nada sabemos. No entanto, é um facto a estreita relação com o feudalismo, cujo crescimento e desenvolvimento se deu durante um longo período de guerras, oriundas de conflitos por posse de terras.

Fenômeno de uma sociedade rural, eles eram homens rudes, hábeis no manejo da espada e da cavalaria, artes que aprendiam desde cedo. Morrer em batalha a serviço do seu senhor, era considerado a morte mais adequada para um samurai.

Acreditavam que uma morte honrada garantiria a vida eterna no outro mundo. De entre os samurais, o mais citado é Myamoto Musashi. Era portanto uma classe que, surgida dos pequenos lavradores autônomos, ao se sentirem desprotegidos, organizavam-se para se defenderem, surgindo assim, a classe dos samurais ou bushis.

Em 1609 o Clã Satsuma, formado por samurais do Japão, invadiu e conquistou Okinawa, incorporando o arquipélago ao Império Japonês. A primeira providência foi a de proibir o porte e o uso de armas. Mas era muito tarde! Os nativos e pescadores olhados com desprezo pelos conquistadores, tinham em suas mãos sementes de uma das mais devastadores artes marciais conhecidas, o Karatê-Dô.

O período de ocupação japonesa fez florescer diversos estilos de artes marciais, que ficaram conhecidas pelos nomes das cidades onde nasceram: Naha-Te e Tomari-Te. Em 1879 (Restauração Meiji) Okinawa tornou-se uma prefeitura do Japão, aumentando bastante o intercâmbio entre os dois povos.

O mais famoso espadachim de todos os tempos foi Myamoto Musashi. Era o mais exímio e ábio dos samurais japoneses, autor de “O Livro de Cinco Anéis” (Goriin No Sho), literatura que sintetiza o seu vasto conhecimento adquirido ao longo de uma vida de guerreiro corajoso e invencível.

Além de espadachim, era artista. Esculpia em madeira e pintava telas, que até hoje atingem um elevado valor no Japão. Certa vez questionaram-o sobre o porquê de usar a espada, já que sabia pintar tão bem e poderia viver facilmente da pintura. Musashi respondeu que para ele a pintura era um mero passatempo, que a sua arte era mesmo a espada.

Ao que se sabe o seu pai teria sido assassinado por um samurai, o que fez com que, órfão e desamparado, acompanhasse um grande samurai durante anos, nas suas andanças através do Japão, implorando que lhe ensinasse asua arte. O samurai contrariado com o miudo que nunca o abandonava, recusava-se a ensina-lo até que, habituado à sua presença, passou a usá-lo como cobaia de novos golpes que criava.

Para esse treino valiam-se de ramos de árvores desfolhados, evitando assim os ferimentos que fatalmente ocorreriam se usassem a espada de verdade. Essa prática fez com que Musashi, usasse, para o resto da sua vida, um pedaço de pau ao atacar os seus adversários, utilizando a espada apenas para o golpe de misericórdia.

Tendo-se tornado um fortíssimo cultor de espada, matou o assassino do seu pai numa luta frente a frente. A partir daí tornou-se um samurai errante, respeitado e temido por todo o Japão. Pouco antes da sua morte, enclausurou-se numa caverna nas montanhas de Kyushu, deixando registrado a sua filosofia.

O seu livro tornou-se um clássico da sabedoria japonesa, tornando-se uma referência fundamental para os estudiosos das artes marciais, tanto no Oriente como no Ocidente.

A importância da perseverança, da iniciativa, do auto-conhecimento e da paciência, principalmente durante os momentos de crise, são alguns dos ensinamentos que foram deixados por Musashi e incorporados nos ensinamentos das artes marciais.


fonte: livro "O Caminho das Mãos Vazias"


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